sábado, 30 de janeiro de 2010

O labirinto da solidão


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"A morte é um espelho que reflete as gesticulações vãs da vida. Toda esta matizada fusão de atos, omissões, arrependimentos e tentativas - obras e sobras - que é cada vida, encontra-se na morte, senão o sentido ou a explicação, o fim. Diante dela nossa vida se desenha e mobiliza. Antes de desmoronar e fundir-se ao nada, é esculpida e toma forma imutável: já não modificaremos, a não ser para desaparecer. Nossa morte ilumina a nossa vida. Se a morte carece de sentido, também a nossa vida não o teve. Por isso, quando alguém morre de morte violenta, costumamos dizer: "estava procurando". E é verdade, cada qual tem a morte que procura, a morte que constrói para si mesmo. Morte cristã ou morte de cachorro são maneiras de morrer que refletem maneiras de viver. Se a morte nos trai e morremos de uma maneira ruim, todos se lamentam: é preciso morrer como se viveu. A morte é instransferível, como a vida. Se não morremos como vivemos, é porque realmente não foi nossa a vida que vivemos: não nos pertencia, como não nos pertence, a má sorte que nos mata. Dize-me como morres e dir-te-ei quem és."

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In: PAZ, Octavio. O Labirinto da Solidão e post.scriptum. Tradução de Eliane Zagury. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976, pgs. 51/52.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Em nome da morte

As intermitências da Morte - José Saramago

A morte e a morte de Quincas Berro D'água - Jorge Amado

A morte do caixeiro viajante - Arthur Miller

A morte de DJ em Paris - Roberto Drummond

A morte de Ivan Ilicht - Léon Tostoi

Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

Morte no Nilo - Ágatha Cristhie

Morte em Veneza - Thomas Mann

Um modelo para a morte - Jorge Luis Borges/Adolfo Bioy Casares

A morte de Artemio Cruz - Carlos Fuentes

Harry Potter e a relíquias da morte - J.K. Rowling

Veronika decide morrer – Paulo Coelho

Crônica de uma morte anunciada - Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Happy Tree Friends


Tom e Frajola


REI PHANTASMA (BALLADA ALLEMAN)

Quem é que cavalga a esta hora, na escuridão da noite, sob a chuva que cai e o vento que uiva? As arvores agitam a folhagem descabellada, arrepiadas do terror da noite.

O velho passa apressadamente, apertando nos braços o filhinho amado, fazendo-lhe com o rosto e com as mãos um carinhoso abrigo.

— Occulta-me o rosto, pae.

— Para que queres que te occulte o rosto, filho?

— Não vês o rei envolvido em seu manto de purpura, brandindo o sceptro como um louco?

— Não tenhas medo, filho, é uma nuvem e mais nada ; é uma nuvem que estremeceu á fúria do vento e se desfez em água.

« Linda creança, vem commigo ! vamos gosar as riquezas do meu reino, embriagar a vista no esplendor do meu ouro, correr os meus campos onde ha flores perfumadas e arvores vergando ao peso dos fructos».

— Pae, pae ! não ouves o que o rei me promette em voz baixa?

— Não é nada, meu filho; é o vento brando que mumura nas ramas e que resvala nas folhas, e mais nada. Filho, não tenhas medo.

« Creança linda, queres vir commigo? As minhas filhas são claras como a neve e têm cabellos louros como o sol; ellas te conduzirão á dança nocturna em companhia das fadas do bosque; ellas te ensinarão brinquedos nunca vistos e te farão passear numa barquinha azul sobre as águas do lago. E tu has de adormecer ao seu canto e sonhar sob seus afagos».

— Pae, pae ! Não vês as filhas do rei dançando lá em baixo na planície, vestidas de branco, com os rostos escondidos nos cabellos?

— Meu filho, meu filho, eu vejo bem: são os salgueiros3 distantes, embranquecidos de neve, que o vento agita e balança, e mais nada.

«Amo-te, bella creança; gosto do teu rosto pallido, dos teus olhos azues como o céu e dos teus cabellos negros como a noite; vem! quero levar-te commigo para deslumbrar-te nas riquezas do meu reino. Si tentas resistir, arranco-te dos braços do teu pae».

— Pae, pae! o rei me leva, o rei me arranca, o rei me mata. Livra-me, pae! elle é tão máu, elle é tão grande, elle é tão feio!

O pobre pae treme; fustiga o cavallo ; atravessa a escuridão da noite sob a chuva que cai e o vento que uiva; aperta tanto o filho contra o peito que o suffoca.. Muito tempo depois, quando entrou em casa, tinha nos braços a creança morta.




In: SILVA, Francisca Julia da. Livro da Infancia. São Paulo: Typographia do Diario Oficial, 1899.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Hora da despedida

http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc27/index2.asp?page=capa

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas

"AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER DEDICO COMO SAUDOSA LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS"










In: ASSIS, Machado. Memórias Póstumas de Brás Cubas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A morte agradece


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Lembranças tristes

(Em memória à primeira mulher do poeta)


Desde que entraste em minha casa,
Nunca pareceste importar-se com a pobreza,
Costurando sempre até soar a meia-noite,
O almoço sempre pronto por volta das doze.
Em nove de dez dias comíamos carne seca.
De leste a oeste, por dezoito anos,
Compartilhamos doçura e amargura
Contando que nosso amor duraria cem anos,
Como pensar que te irias em uma noite?
Ainda recordo quando o fim chegou,
Seguraste-me a mão, sem voz nem som.
Este meu corpo, muito embora esteja vivo,
Por fim se reunirá a ti no pó do túmulo.


Mei Yao-ch'en (1002-1060)


* In: Escadaria de Jade - Antologia de poesia chinesa: século XII a.C. - século XIII. Seleção, tradução e notas de A. B. Mendes Cadaxa. Rio de Janeiro: Graphia, 1998.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O estrangeiro

"Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: “Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames”. Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem"


[...]


In: Camus, Albert. O estrangeiro.
 

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